quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Arte política, arte e política, arte ou política?

O macaco compôs uma música de protesto e foi bem sucedido entre a macacada. Mas desagradou o Líder Maior, pois a música denunciava mais uma de suas canalhices: aumentar clandestinamente o número da sua cota mensal de bananas gratuitas sem pedir aprovação do Símio Conselho.
O macaco-músico está preso, mas sua canção circula nesse momento por toda a selva, e não há quem não saiba a letra de cor. Se ela é capaz de provocar uma revolta contra o líder corrupto, não se sabe. Cantar e dançar é uma coisa, já engajar-se são outras bananas...

Desmoral: Os jornalistas não decidem se publicam a notícia na Seção Cultura ou na Seção Política.

sábado, 23 de julho de 2011

O macaco turista



Era um macaco que vivia pulando de galho em galho. De bananeira em mangueira, de abacateiro em coqueiro. Conhecia todo tipo de fruta, de árvore, de vegetação. Colecionava folhas e cascas, que exibia aos amigos. Estive aqui, estive ali, vi isso e vi aquilo.
Vagava um dia em floresta alheia, quando lhe perguntaram das frutas da árvore onde morava. Mas o macaco não soube descrevê-las, nem seu aspecto, nem seu sabor, ou porque nunca as provara ou porque as esquecera.

Desmoral: folhas e cascas, mas nenhuma polpa.

sábado, 9 de julho de 2011

HEXAGRAMA II - O RECEPTIVO (Queda de Lúcifer)


- Levavas a Luz contigo, mas ousaste refletir luz própria.
Agiste conforme a Razão e serás expulso.
- Serei punido por obedecer aos teus desígnios?
- Serás punido pela tua consciência.
E expulso, por teres te tornado a Outra Face.

Assim caiu o Anjo, repelido às profundezas de si mesmo.

domingo, 3 de julho de 2011

HEXAGRAMA I - O CRIATIVO (Vôo de Ícaro)


Compus com fogo, sebo e plumas a minha liberdade.
Sem buscar a razão, encontrei a coragem perdida.
Obedecia a ensinamentos antigos; agora libertei uma verdade minha.
Sou capaz de muito, de tudo, a partir de travesseiros e velas.
Cego pelo sol, eu me vi pelo avesso; cego, o calor foi meu guia.
Uma última questão queimou minhas retinas: poderia ter sido deus?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A fruta proibida




Dizem que aconteceu na selva: um macaquinho, aceitando a sugestão da professora, pegou uma fruta exótica e levou para comer em casa. Chegando lá, não conseguiu descascar a fruta e perguntou para sua mãe como se fazia. A mãe ficou apavorada: aquela fruta era tida como mortalmente indigesta para filhotes de macacos. Indignada, foi até a escola e xingou a professora, que alegou não ter conhecimento algum sobre o perigo da fruta. A briga ficou tão feia, que foram parar na polícia. Autoridades foram chamadas, e alegaram que tudo não passava de superstição, tolice de ignorantes: a fruta era indigesta coisa nenhuma, isso estava cientificamente comprovado. A discussão foi longe e tomou conta do bando: uns eram a favor de eliminar a oferta da fruta, por via das dúvidas e em qualquer circunstância; outros diziam que, ao contrário, a fruta era indigesta aos jovens justamente porque não eram acostumados a comê-la desde cedo. Um terceiro grupo, mais moderado, defendia a idéia de processar a fruta em forma de suco ou papinha, de modo a adequá-la ao delicado corpo símio-infantil.
Faltou mesmo é perguntar ao macaquinho o que ele achava.

Moral: Até tu, frutus?


Foto: Rambutam, fruta rara de origem asiática. Dizem que é muito doce e saborosa.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Bananas adaptadas



O jovem macaco só recebia, desde filhotinho, bananas previamente esmagadas: tinham medo, seus preocupados educadores, que ele comesse a banana com casca e tudo, ou inteira, e se engasgasse. Nunca lhes passou pela cabeça que poderiam tê-lo ensinado a descascá-las e mastigá-las bem, ele mesmo.

O jovem macaco cresceu, e deixou de comer bananas: não que não gostasse delas, mas jamais voltou a encontrá-las na forma que costumava comer, como um creme branquinho.

Um dia, porém, lhe serviram uma banana com bela casca amarela. Curioso, o nosso amigo observou como os outros faziam, abriu-a e, finalmente, a saboreou. À lembrança de sua infância, sentiu-se traído e enganado.

Moral: a banana, uma vez esmagada, dificilmente levará à banana inteira.