segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Moscas gêmeas (fevereiro)

Mosca 1

Ângulo temperamental
-45o
no verão do desespero
o concreto retorcido
deseja-se tornado.


Mosca 2

Ângulo temperamental
+45o
Do outro lado
a garra segura a taça
de água fresca da caixa.

Fotos de Daniel Mastroberti

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mosca de novembro - Pentecostes

Mosca sobre foto editada a partir do original de Daniel Mastroberti
(para ver a versão do autor, clique aqui)

"...e de repente veio do céu um estrondo,
como de vento que soprava impetuoso...
E apareceu-lhes repartidas umas línguas de fogo
e pousou sobre cada um deles."*

O vento, ela amarrou ao cabelo.
Ao fogo, ela sorriu em outra língua:
- Stop!
Stared, it remains over her
para sempre, na fotografia.

*Atos dos apóstolos, cap II, v. 2 e 3.



HEXAGRAMA IV - INSENSATEZ JUVENIL (pra ler em ritmo de rap)


umaraivatipoberro_vemdiretodagoela - nãouviram

umabismo

táligado

e-eu_matiro

umavara / táligado / pro_meu / dese/quilíbrio - nãomeviram
ninguémrespooonde / ninguémmenxeeerga / ninguém_sutuuura_minha_veiabeerta
morro_pra_saberoimpacto / eufizumpacto

e-eu-e-eu-e-eu
e-e-e-eu-e-eu-e-eu
e-e-e-eu-e-eu-e-eu

fizum
fizum
fizum

pacto.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Mosca de setembro: Para Febo, para Siegfried


da árvore sou o centro
sou dafne
bruníssima
nem deusa
nem ninfa
nem fruta
nem galho.

(Mosca sobre foto Daniel Mastroberti)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

HEXAGRAMA III - DIFICULDADE INICIAL (Passeio na praia)

Em algum lugar, Céu e Terra se encontram
lá, onde tudo é plasma úmido e azulado.
A Terra é plana, o Céu é cúpula
- o que quer que digam os geólogos, os astrônomos, os físicos!
Se eu continuar no passo mole à sabor da brisa
alcanço o Ponto-sem-retorno, espio o universo e suas engrenagens.

Enquanto rumo em direção ao Norte
olhos postos no horizonte de areia, bruma e água salgada
o ar espessa às minhas costas
o chão responde em raios
o Mar se ergue em sinal de alerta:
a brisa apavorada me ultrapassa em velocidade de vento.

Me arrepia uma nuvem feia e enorme.
Perigo
- mas voltar não posso.
A areia covarde foge em sinuosas riscas
as ondas valentes se põem em guarda.
Ao Norte contudo o sol assemelha a vista a um lugar encantado.

Persevero, forçando o passo.
Mas há o muro de vento.
Petreficada em areia e sal, paro:
um borrão cinza tomou o sol.
Meia-volta: surpresa!
Ao Sul, o Céu azul e a Terra branca.

Estava certa: "Existe mesmo um Ponto-sem-retorno
impossível, onde o mundo se desfaz
e andamos sobre o Abismo."
Ao tentar transgredi-lo, vislumbrei suas engrenagens.

Até onde iria aquela nuvem negra, a provocar discórdias entre o Mar, a Terra e o Céu?
Exausta, acenei alegre aos que me esperavam, protegidos pelo guarda-sol.