domingo, 6 de fevereiro de 2011
Bananas acadêmicas
Especialistas em bananas se servem, em geral, de um dos seguintes métodos para suas pesquisas: alguns preferem estudá-las lançando um olhar amplo e abrangente sobre a bananeira como um todo ⎯ deduzem, através de cálculos e conceitos pré-estabelecidos, o cheiro e o sabor a partir da forma dos cachos, das folhas e da composição do solo; outros colhem uma banana e a experimentam, farejando e comendo, deduzindo a partir desta o sabor de todas as demais bananas da bananeira em questão. Os primeiros discursarão sobre uma banana essencial ou hipotética. Os segundos, de uma banana empírica, a única sobre a qual podem digressar, entre as demais variedades cujo gosto e sabor não serão conhecidos.
Haveria como gerar um conceito de banana ao provar o gosto de apenas uma? É possível descrever suas qualidades sem degustá-la?
Por conta dessa querela já arrastada em anos, muitos macacos esqueceram qual a finalidade de suas pesquisas: estão por demais envolvidos numa discussão que não se decide entre aceitar um resultado ora inalcançável, ora de antemão extinto.
Moral: Apesar de todo o pensamento, a banana existe.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
— Que mesmice! Tu não fica entediado não, de comer só banana?
— É uma fruta gostosa.
— Há outras tão boas e até melhores.
— Pra mim banana é suficiente. Pra quê mais?
— Pra vida variar, pra ter outras formas de alegria...
— Não sinto falta de outra coisa.
— Prova essa manga.
E insistia, insistia, insistia.
Até que, para agradar o amigo ou por perder a paciência, o macaco provou uma manga. Disse que sim, que era gostosa mesmo. Doce e suculenta. Depois prosseguiu, muito feliz e tranquilo, na sua dieta exclusiva de bananas, da qual jamais saiu.
Desmoral 1 (para Ulisses): certos marujos nem precisam de cera nos ouvidos. São surdos por natureza.
Desmoral 2 (essa é para Ulisses também): obrigar não é a mesma coisa que seduzir. Que o digam as sereias.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
O macaco original
Certo dia letivo, um macalescente tirou zero numa produção textual, logo ele, que era tão bom em macaquês. Por que?, perguntou ele, indignado. Responde a Macassora: porque não foi tu que escreveu. E leu um pedaço, bem alto, como quem pede a aprovação da macacada. Era um texto sobre mangas, suas variadas espécies e seus diversos sabores. Esse macalescente, além de preferir a fruta mil vezes às bananas que lhe ensinavam a comer, se divertia pesquisando tudo o que podia sobre elas. Por isso, protestou mais uma vez: fui eu, sim! Mas a Macassora insistiu no zero e só voltou atrás depois de uma conversa com os macapais.
Desmoral 1: É por não acreditar na originalidade que se produzem somente as cópias.
Desmoral 2: Onde só se ensinam bananas, falar em manga é contravenção.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
À chaq'un, sa mer, Rimbaud
Elle est retrouvée!
Quoi? L'éternité
C'est la mer mêlée
Au soleil
O Mar não é eternidade:
evapora e deixa apenas sal que arde.
O Mar não apazigua a alma:
liquidifica pés na areia
enterra cotos à imobilidade.
O Mar arrebenta paixões com seus repuxos
sacode os nervos.
Esbofeteia a boca assada
retrai rangendo espuma
e contra-ataca.
O Mar não é eternidade:
é prostração
é aniquilamento.
Quoi? L'éternité
C'est la mer mêlée
Au soleil
O Mar não é eternidade:
evapora e deixa apenas sal que arde.
O Mar não apazigua a alma:
liquidifica pés na areia
enterra cotos à imobilidade.
O Mar arrebenta paixões com seus repuxos
sacode os nervos.
Esbofeteia a boca assada
retrai rangendo espuma
e contra-ataca.
O Mar não é eternidade:
é prostração
é aniquilamento.
Assinar:
Postagens (Atom)





